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Pais e filhos que correm juntos dividem momentos de aprendizado

Corredores mostram por que a relação paterna revela tantos passos a serem seguidos

Por Fernanda Di Sciascio

Filho, pai e avô

A família vive no Rio de Janeiro. O avô corre 8 km, diariamente, em Copacabana, além de nadar 1 km. O filho e o neto correm a mesma distância, cerca de três vezes por semana, e há ainda a companhia do outro neto, Fábio, 23, que hoje compete mais que Felipe. Comecei a correr por incentivo de meu avô. Lembro-me que tinha nove anos e ele participava de uma maratona, e me chamou para acompanhá-lo. Fui por poucos quilômetros e, desde então, não parei mais. Meu desafio é chegar aos 80 anos com a mesma disposição que ele, que ainda participa ativamente de provas de longa distância, com chuva ou sol. Meu avô

começou a correr há 25 anos, aos 55, e nessa época meu pai já corria sempre preferindo o esporte à competição. Com todo esse histórico, não dá para ser diferente: a corrida é para mim a preparação para um grande dia. Quando corro de manhã, me sinto eufórico, disposto, forte , contou Felipe Puccioni

Filha e pai
Carlos, 53, auditor e Mariana Bidermann, 22, estudante de administração de empresas, provam que a competitividade está no gene da família de Porto Alegre. Carlos corre desde 1978, mas foi em 1997 que focou em maratonas. Desde então participou de 16 e, para isso, tem treinador e segue rigorosamente sua planilha, com corridas cinco vezes por semana. A filha corre há dois anos e, juntos, praticam o esporte na capital gaúcha ou na praia.

Coincidentemente, estava em Nova York durante duas maratonas. Quando vi o movimento, disse para mim mesmo que ainda faria parte daquele negócio . Em 1997, corri os 42 km de Porto Alegre e minha próxima será a de Berlim, que quero fazer em menos de 3 horas. Meu sonho é participar com a Mariana de uma maratona. Só por minha filha me disporia a fazer uma prova em mais tempo para acompanhá-la da largada à chegada , disse Carlos Bidermann.

Filhos e pais
Os jornalistas Hermano, 61, e André Henning, 31, têm a cumplicidade como palavra que resume a relação dessa família, unida pela profissão e prática da corrida. Hermano começou com o esporte quando se preparava para uma matéria que requeria preparo físico, em 1985.

Desde então, foi incentivando os filhos que em princípio não tinham muita paciência. Um dia Herbert topou o desafio, e depois André. Hoje, todos correm uma média de 10 km por dia, de quatro vezes por semana. A corrida é o tempo que temos juntos. Este ano me mudei para o Rio de Janeiro, mas até então treinávamos os três meu pai, irmão e eu no Parque da Água Branca, Zona Oeste de São Paulo. Mesmo sem combinar, acabávamos nos encontrando na pista, o que era sempre muito legal. Meu pai sempre foi um exemplo de hábitos bacanas para nós, com reflexos até hoje. Acabei de correr minha primeira maratona, no Rio de Janeiro. E curiosamente os primeiros 42 km do meu pai também foram no Rio, em 1987. Vinte anos depois repeti o feito e nossa meta é competirmos a São Silvestre deste ano juntos , afirmou André Henning.

Os brasilienses Leandro, 27, analista de finanças, e Geraldo Secunho, 65, médico, correm hoje mais para manter o condicionamento físico para as partidas de futebol, que praticam juntos semanalmente. Nas pistas, o percurso é de 5 a 6 km. Leandro treina três vezes por semana e Geraldo, quatro vezes, sempre nas imediações da casa onde moram, no Lago Sul.

Meu pai começou a correr quando nasci. Ele tinha descoberto um problema cardíaco e o esporte lhe deu saúde. Com o tempo, me incentivou a praticar corrida e, aos 11 anos, entrei para o triathlon. Ele me acompanhava em toda prova, me dava garra para continuar e assim competi por sete anos. Naquela época, meu pai também participava de duathlons e maratonas. Hoje, participamos de provas de revezamento juntos, ocasionalmente , disse Leandro Secunho.