Poliomielite: sintomas, prevenção e sequelas

Visão Geral

O que é Poliomielite?

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada por um enterovírus de alta infectividade, chamado poliovírus (sorotipo I, II e III), cujo principal reservatório de infecção encontra-se no gastrointestinal dos seres humanos.

Existem dois tipos de pólio: a paralítica e a não paralítica, que pode levar à paralisia total ou parcial dos membros inferiores. Apesar do nome, a doença pode afetar tanto crianças quanto adultos.

A poliomielite foi praticamente erradicada em países industrializados com a vacinação de crianças, inclusive no Brasil, onde a vacina contra a doença foi incorporada à caderneta de vacinas obrigatórios. Mas o vírus causador, no entanto, ainda pode ser encontrado em países da África e da Ásia.

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De acordo com o Ministério da Saúde, o último caso de poliomielite registrado no Brasil aconteceu em 1989. Atualmente, a cobertura vacinal brasileira contra pólio está acima dos 95%.

No mundo, o cenário da doença também melhorou radicalmente. O número de casos da doença em todo o globo caiu 99% desde 1988, passando de 350 mil para 406 notificados em 2013, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Causas

A poliomielite é uma doença causada pela infecção do poliovírus, que se espalha por contato direto pessoa a pessoa, pela via fecal-oral, por alimentos, objetos ou água contaminados ou pelo contato oral-oral, por meio de gotículas de secreções da fala, tosse ou espirro de doentes ou portadores.

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Segundo Patrícia Consorte, pediatra e especialista em nutrição materno-infantil, uma vez que o paciente contrai o vírus pela via oral, ele se dissemina pela faringe e intestino de uma a três semanas, sendo então excretado pela saliva e pelas fezes. O vírus pode ser liberado por até outras três semanas, sendo muito contagioso.

O vírus, após se disseminar pela garganta e pelo trato intestinal do paciente, alcança a corrente sanguínea e pode atingir o cérebro.

Quando a infecção ataca o sistema nervoso, ela destrói os neurônios motores e provoca paralisia nos membros inferiores. A pólio pode, inclusive, levar o indivíduo à morte se forem infectadas as células nervosas que controlam os músculos respiratórios e de deglutição.

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O período de incubação do vírus, ou seja, tempo que leva entre a infecção e surgimento dos primeiros sintomas, varia de cinco a 35 dias, mas a média é de uma a duas semanas.

A falta de saneamento básico, higiene pessoal precária e más condições habitacionais são fatores que contribuem para a transmissão do poliovírus.

Fatores de risco

Uma pessoa está em maior risco de contrair poliomielite se não foi devidamente imunizada contra a doença.

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Em áreas com más condições de saneamento básico e com ausência de programas de imunização, a população torna-se mais vulnerável ao poliovírus, principalmente crianças até os cinco anos de idade — razão que originou o nome “paralisia infantil”.

Mulheres grávidas, idosos e pessoas com sistema imunológico enfraquecido, como portadores de HIV, são especialmente suscetíveis a contrair a doença.

Sem a vacina, outros fatores também podem aumentar o risco, como:

Sintomas de Poliomielite

Embora a poliomielite possa causar paralisia e até mesmo a morte, a maioria das pessoas infectadas com o poliovírus não fica doente e não manifesta sintomas, de modo que a doença passa muitas vezes despercebida. Segundo Consorte, 95% das infecções são assintomáticas.

Poliomielite não paralítica

A maior parte das pessoas que foram infectadas pelo poliovírus apresenta o tipo não paralítico da doença. Caso o vírus chegue à corrente sanguínea, segundo Consorte, os sintomas aparentes são muitos similares aos da gripe e de outras doenças virais leves ou moderadas.

Os sinais e sintomas, que costumam durar de um a dez dias, incluem:

Poliomielite paralítica

Em casos raros, a infecção pelo poliovírus leva à poliomielite paralítica, a forma mais grave da doença. Sinais da poliomielite paralítica, como febre e dor de cabeça iniciais, muitas vezes imitam os da poliomielite não paralítica.

De acordo com a pediatra Patrícia Consorte, em uma a cada 120 infecções o vírus pode invadir o sistema nervoso central e gerar danos no corno anterior das raízes da medula espinhal, onde o paciente pode iniciar apresentando rigidez de nuca, semelhante a uma meningite. A partir daí, surgem fortes dores musculares e espasmos, principalmente nos membros inferiores, evoluindo para perda intensa de força.

“A força e os reflexos do membro são perdidos, permanecendo a sensibilidade. Essa é a chamada forma paralítica, na qual pode se perder também o controle da bexiga e do intestino por acometimento das inervações”, explica Consorte. O período entre os primeiros sintomas nos membros e a perda da força é rápido, segundo a especialista, e ocorre em cerca de dois dias.

Em casos mais raros e graves, a perda de força pode ser mais intensa e acometer mais músculos, como braços e músculos respiratórios, podendo levar à insuficiência respiratória e à morte.

A poliomielite abortiva, como também é chamada, recebe diferentes nomes dependendo da parte do corpo afetada: a medula espinhal (poliomielite espinhal), o tronco cerebral (poliomielite bulbar) ou ambos (poliomielite bulbospinal).

Síndrome pós-poliomielite

A Síndrome pós-poliomielite é um distúrbio neurológico específico caracterizado por uma nova fraqueza ou fadiga no membro, como sequela da poliomielite paralítica anos após o agravo, entre 15 a 40 anos, segundo Patrícia Consorte.

“A prevalência na literatura é bem variável, com uma média de 42% dos pacientes com sequela desenvolvendo a doença”, acrescenta.

De acordo com a pediatra, após a lesão nervosa inicial desencadeada pela poliomielite paralítica, existe uma certa regeneração nervosa no local, com neurônios motores tentando aumentar a produção de fibras nervosas. Assim, pode ocorrer algum desequilíbrio nesse processo, gerando degeneração dos neurônios e resultando em nova disfunção e fraqueza.

Os sintomas mais comuns dessa síndrome incluem:

Além disso, outros fatores, como ganho de peso, estresse, desuso do membro e descondicionamento muscular também podem desempenhar um papel na fisiopatologia.

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Poliomielite

O diagnóstico de poliomielite, segundo Patrícia Consorte, é sempre suspeitado quando houver paralisia flácida de surgimento agudo, normalmente antecedida de um quadro gripal e na presença de sintomas como dor e rigidez no pescoço, reflexos anormais lentos ou inexistentes e dificuldade de deglutição e respiração

Para confirmar o diagnóstico, é enviada para análise laboratorial uma amostra de secreções da garganta, fezes ou líquido cefalorraquidiano, um líquido incolor que envolve o cérebro e a medula espinhal. Uma eletroneuromiografia (ENMG), exame que estuda o nervo desde a saída da medula ou cérebro e todo seu caminho até chegar aos músculos, pode ser necessária.

O ideal é que a coleta seja feita em até 14 dias do início do quadro de paralisia.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Poliomielite

Não existe tratamento específico para a poliomielite, de modo que as ações possíveis para atuar num quadro da doença são diminuir a sensação de desconforto, acelerar a recuperação e garantir a qualidade de vida do paciente através de:

O tratamento deve ser iniciado o quanto antes para evitar complicações, mesmo porque, se uma pessoa infectada com o vírus não for atendida ao primeiro sinal da doença, ela estará sob risco aumentado de morte.

Cuidados caseiros e acompanhados pelo médico podem ajudar na recuperação do paciente com pólio.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Sequelas da poliomielite

As sequelas da poliomielite não têm cura e estão relacionadas com a infecção da medula e do cérebro pelo vírus causador da doença. As principais sequelas são:

Complicações possíveis

A poliomielite paralítica pode levar à paralisia muscular temporária ou permanente, incapacidade e deformidades dos quadris, tornozelos e pés.

Embora muitas deformidades possam ser corrigidas com cirurgia e fisioterapia, esses tratamentos podem não ser opções em algumas partes do globo, especialmente países não industrializados, onde a pólio ainda é comum. Como resultado, as crianças que sobrevivem à poliomielite podem passar a vida com deficiências graves.

Poliomielite tem cura?

O prognóstico depende do tipo de poliomielite e do local afetado pelo vírus. Se a medula espinhal e o cérebro não estiverem envolvidos, o que acontece em mais de 90% das vezes, a recuperação completa é bastante possível.

O envolvimento do cérebro ou da medula espinhal é uma emergência médica que pode resultar em paralisia temporária ou permanente e até mesmo em morte (normalmente por dificuldades respiratórias).

“A sequela da paralisia, infelizmente, não tem cura, podendo gerar a longo prazo, deformidades, dor e osteoporose. A melhora na qualidade de vida irá necessitar de acompanhamento de fisioterapia e terapia ocupacional”, explica Patrícia Consorte.

A paralisia é uma consequência mais comum que a morte. A infecção em uma parte alta da medula espinhal ou no cérebro aumenta o risco de problemas respiratórios.

Prevenção

Prevenção

A vacinação é a única forma de prevenir a poliomielite. As campanhas nacionais de vacinação ocorrem anualmente e todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser imunizadas.

O esquema vacinal contra a poliomielite é de três doses da vacina injetável. VIP, aos 2, 4 e 6 meses, e mais duas doses de reforço com a vacina oral bivalente, a VOP (em gotinha).

O que é a vacina contra a poliomielite?

A vacina contra poliomielite, também conhecida como VIP ou VOP, protege a criança de três diferentes tipos de poliovírus. É produzida a partir de vírus vivos atenuados em culturas de células derivadas especialmente de tecido renal de macacos da espécie Cercopthecos aethiops. Contém os três tipos de poliovírus atenuados (tipos I, II e III).

Contém, além disso, conservantes (antibióticos) e termo estabilizadores, como cloreto de magnésio e aminoácidos ou sacarose.

É apresentada sob a forma líquida, habitualmente em um conjunto de frasco, aplicador e tampa rosqueável moldados em plástico maleável e resistente, contendo 20 ou 25 doses.

Referências

Patricia Consorte, pediatra e especialista em nutrição materno-infantil. CRM: 1495.