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Tabagismo: o que é, causa e como parar de fumar

Visão Geral

O que é Tabagismo?

O tabagismo é considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo a maior causa de morte evitável em todo o mundo.

Cigarro: conheça os riscos do tabagismo

Para ser considerada tabagista, a pessoa precisa fazer uso de, ao menos, um produto com tabaco (cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha, cigarrilha, bidi, tabaco para narguilé, rapé, fumo-de-rolo, dispositivos eletrônicos para fumar e outros) regularmente, independente do tempo.

De acordo com INCA, o tabagismo integra o grupo de transtornos mentais e comportamentais em razão do uso de substância psicoativa, a nicotina.

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Por que cigarros, charutos, cachimbo, vape, cigarro de palha, fumo de rolo e rapé fazem mal à saúde?

Todos os produtos que contenham nicotina e tabaco e que possam ser usados nas formas de inalação (cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha, vape), aspiração (rapé) e mastigação (fumo-de-rolo), são nocivos à saúde. No período de consumo destes produtos são introduzidas no organismo mais de 7.000 substâncias tóxicas, incluindo nicotina (responsável pela dependência química), monóxido de carbono (o mesmo gás venenoso que sai do escapamento de automóveis) e alcatrão, que é constituído por aproximadamente 70 substâncias pré-cancerígenas, como agrotóxicos e substâncias radioativas que causam câncer.

O que é tabagismo passivo?

A inalação da fumaça de derivados do tabaco por indivíduos não fumantes que convivem com fumantes em ambientes fechados é o chamado tabagismo passivo.

Estima-se que o tabagismo passivo seja a terceira maior causa de morte evitável no mundo, subsequente ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool.

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Quanto maior o tempo em que o não fumante fica exposto à poluição tabagística ambiental, maior a chance de adoecer. As crianças, por terem uma frequência respiratória mais elevada, são mais atingidas, sofrendo consequências drásticas sobre a saúde, incluindo bronquite e pneumonia, desenvolvimento e exacerbação da asma e infecções do ouvido médio.

Quais os derivados do tabaco mais agressivos à saúde e como agem?

A fumaça do cigarro possui uma fase gasosa e uma particulada. A fase gasosa é composta por monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído e acroleína, entre outras substâncias. Algumas produzem irritação nos olhos, nariz, garganta e levam à paralisia dos movimentos dos cílios dos brônquios. A fase particulada contém nicotina e alcatrão, que concentra 48 substâncias cancerígenas, entre elas arsênico, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, além de resíduos de agrotóxicos aplicados nos produtos agrícolas e substâncias radioativas.

Causas

O tabagismo causa dependência pela presença da nicotina, uma substância psicoativa.

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A dependência da nicotina gera pelo menos três tipos de processo de dependência no corpo: fisiológico, psicológico e comportamental.

Fisiologicamente, a nicotina é uma substância que estimula o cérebro de maneira análoga à cocaína e à heroína. Isso porque ela ativa neurotransmissores, especialmente a dopamina, o que leva a uma forte sensação de prazer e de euforia.

Psicologicamente, a dependência da nicotina é caracterizada pela necessidade de acender um cigarro com o intuito de aliviar angústia, ansiedade, tristeza, medo, estresse ou até mesmo em momentos de depressão.

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Por fim, a dependência comportamental é o uso da nicotina como distração em situações corriqueiras do cotidiano, como tomar café, após refeições, assistir à televisão, falar ao telefone, ingerir bebidas alcoólicas, dirigir, antes de iniciar uma tarefa que exija concentração ou mesmo relaxar.

O que causa a dependência do cigarro?

A nicotina, que é encontrada em todos os derivados do tabaco (charuto, cachimbo, cigarro de palha etc) é a droga que causa dependência. Esta substância é psicoativa, isto é, produz a sensação de prazer, o que pode induzir ao abuso e à dependência. Por ter características complexas, a dependência à nicotina é incluída na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde - CID 10ª revisão. Ao ser ingerida, produz alterações no Sistema Nervoso Central, modificando assim o estado emocional e comportamental dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, a heroína e o álcool.

Depois que a nicotina atinge o cérebro, entre 7 a 9 segundos, libera várias substâncias (neurotransmissores) que são responsáveis por estimular a sensação de prazer (núcleo accubens), explicando-se assim as boas sensações que o fumante tem ao fumar. Com a ingestão contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o mesmo nível de satisfação que tinha no início.

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Esse efeito é chamado de tolerância à droga. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros. De tal forma que a quantidade média de cigarros fumados na adolescência, nove por dia, na idade adulta passa a ser de 20 cigarros por dia. Com a dependência, cresce também o risco de contrair doenças debilitantes, que podem levar à invalidez e à morte.

Sintomas de Tabagismo

Segundo o Manual Estatístico e Diagnóstico (DSM-IV) da Associação de Psiquiatria Americana (APA) os critérios diagnósticos para Dependência Química se aplicam também ao tabagismo. São eles:

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Sintomas da abstinência da nicotina

Ao parar de fumar, o corpo naturalmente reage a um processo de abstinência - o que leva a sintomas característico da síndrome de abstinência da nicotina, tais como:

Vale lembrar que esses sintomas não acontecem com todos os fumantes que param de fumar. Quando surgem no corpo, entretanto, tendem a desaparecer em uma a duas semanas (alguns casos podem chegar a quatro semanas).

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O sintoma mais intenso e mais difícil de lidar é a chamada "fissura" (grande vontade em fumar). A "fissura", porém, geralmente não dura mais que cinco minutos. Porém, ela vai reduzindo gradativamente a sua intensidade e aumentando o intervalo entre um episódio e outro.

Em momentos de fissura, você pode chupar gelo, escovar os dentes, beber água gelada ou comer uma fruta para ajudar a desviar o foco.

Mantenha as mãos ocupadas com um elástico, pedaço de papel, rabisque alguma coisa ou manuseie objetos pequenos. Não fique parado - converse com um amigo, faça algo diferente que distraia a sua atenção.

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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Tabagismo

De acordo com o pneumologista Carlos Machado, o tratamento para o tabagismo envolve um processo multidisciplinar que vai além do uso de adesivos, chiclete ou medicamentos anti-nicotina.

Como parar de fumar?

Parada imediata: neste método você marca uma data em que deixará de fumar, independente do número de cigarros fumados diariamente. Quando chegar o dia escolhido, você não deverá ter cigarros, porque essa medida diminuirá os riscos de, diante de uma forte vontade de fumar, você acender o cigarro por tê-lo perto.

Parada gradual: este método reduz progressivamente o número de cigarros fumados por dia. Por exemplo: uma pessoa que fuma 30 cigarros por dia, no primeiro dia fuma os 30 cigarros usuais e pode ir diminuindo cinco unidades a cada dia, até chegar a zero. Veja o esquema a seguir:

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A estratégia gradual, porém, não deve durar mais de duas semanas, senão pode se tornar uma forma de adiar a interrupção do cigarro e não um método com o intuito de parar de fumar.

Existe tratamento gratuito para parar de fumar?

Atualmente, o Brasil conta com o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), tratamento gratuito para o tabagismo oferecido pelo SUS. É possível encontrar o serviço em estados e municípios e Distrito Federal.

Como parar de fumar definitivamente?

É normal ouvir histórias de pessoas que tentaram parar de fumar uma, duas, três… Várias vezes, mas acabaram voltando a fumar.

De acordo com o Inca, esse tipo de comportamento é normal e esperado em tabagistas. Antes de conseguir parar de fumar de vez, a pessoa pode tentar mais de uma vez até interromper a dependência definitivamente.

Mas é possível parar de fumar de vez. A cada tentativa, você vai conhecendo suas maiores dificuldades e aprendendo a controlá-las, sem ter que fumar.

Exemplo: você resolve parar de fumar e ao estar diante de uma situação de estresse, pensa em fumar um cigarro como solução para se acalmar. Com o tempo você vai aprendendo que, além do cigarro não resolver seus problemas, ele está tirando a sua saúde.

É mais difícil a mulher parar de fumar do que o homem?

Homens e mulheres têm formas distintas de lidar com o tabaco. Na mulher, o uso de cigarros muitas vezes está associado à mudança de humor e essa tendência pode criar dificuldades diferenciadas diante da abstinência. O importante é conhecer essas especificidades e poder oferecer o tratamento adequado para que as chances de sucesso sejam maiores.

Parar de fumar aumenta o peso?

Se a fome aumentar, não se assuste, é normal ganhar peso ao tentar parar de fumar, pois o seu paladar vai melhorando e o metabolismo se normalizando. De qualquer forma, procure não comer mais do que de costume. Evite doces e alimentos gordurosos. Mantenha uma dieta equilibrada com alimentos naturais e de baixa caloria, frutas, verduras, legumes etc. A atividade física também ajuda no controle do peso. Beba sempre muito líquido, de preferência água e sucos naturais. No início, evite café e bebidas alcoólicas, pois eles estimulam a vontade de fumar.

O mais importante é escolher uma data para ser o seu primeiro dia sem cigarro. Este dia não precisa ser um dia de sofrimento. Faça dele uma ocasião especial e procure programar algo que goste de fazer para se distrair e relaxar.

Saiba mais: Entenda por que o cigarro vicia

Como lidar com as armadilhas ao parar de fumar?

Exercício de relaxamento: é um ótimo recurso saudável para relaxar. Faça a respiração profunda: respire fundo pelo nariz e vá contando até seis. Depois deixe o ar sair lentamente pela boca até esvaziar totalmente os pulmões. Relaxamento muscular: estique os braços e pernas até sentir os músculos relaxarem. Esticar o corpo ajuda a relaxar os músculos e a diminuir a tensão da vontade de fumar

Outras fontes de prazer: o cigarro não é a única fonte de prazer em sua vida, portanto, durante o processo de parada, procure incluir ou retomar atividades que sejam prazerosas da sua rotina (artesanato, dança, leitura, jardinagem, yoga etc).

Proteja-se! Após parar de fumar, uma simples tragada pode levar você a uma recaída. Evite o primeiro cigarro e você estará evitando todos os outros!

Saiba mais: Acupuntura é eficiente no combate ao vício em cigarro

Complicações possíveis

Diariamente, segundo o Inca, 443 pessoas morrem por quadros clínicos relacionados ao tabagismo.

O tabagismo contribui diretamente para a ocorrência das seguintes doenças e condições clínicas:

No Brasil, o câncer de pulmão é um dos tipos de tumor mais letais e também uma das principais causas de morte no país. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a doença lidera, ao lado do câncer de mama, entre os principais tipos de cânceres diagnosticados no mundo.

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O consumo de tabaco é o mais importante fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão. Comparados com os não fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão.

Em geral, as taxas de incidência em um determinado país refletem seu consumo de cigarros. (Estimativa/2010 - Incidência de Câncer no Brasil - Inca - Ministério da Saúde).

Saiba mais: Você realmente conhece os perigos do fumo?

As estatísticas revelam que os fumantes comparados aos não fumantes apresentam um risco:

Se parar de fumar agora:

Quais são os riscos do tabagismo para a grávida?

A mulher grávida que fuma, além de correr o risco de abortar, tem uma maior chance de ter filhos de baixo peso, menor tamanho e com defeitos congênitos. Os filhos de fumantes adoecem duas vezes mais do que os filhos de não fumantes.

Riscos do tabagismo para as crianças

As crianças, especialmente as mais novas, são muito prejudicadas quando expostas ao tabagismo. Um estudo da OMS, envolvendo 700 milhões de crianças que vivem com fumantes em casa (cerca de metade das crianças do mundo), mostrou que essas apresentaram um aumento de incidência de pneumonia, bronquite, exacerbação de asma, infecções do ouvido médio, além de uma maior probabilidade de desenvolvimento de doença cardiovascular na idade adulta.

Nos casos em que a mãe é fumante, estima-se uma chance maior (70%) para infecções respiratórias e de ouvido médio do que nos casos em que a mãe não é fumante.

Essa chance torna-se mais elevada (30%) se o pai for fumante em crianças de até um ano de idade. A chance aumenta mais ainda (50%) caso haja mais de dois fumantes em casa convivendo com essas crianças.

Ambientes ventilados eliminam a poluição ambiental do cigarro?

Não. Embora uma boa ventilação possa ajudar a diminuir a irritação nos olhos, nariz e garganta causada pela fumaça, ela não elimina seus componentes tóxicos.

Quando áreas de fumantes e de não fumantes compartilham o mesmo sistema de ventilação, a fumaça se dispersa por toda a área, pois circula através das tubulações de sistemas de refrigeração central. Dessa forma, opções defendidas pela indústria, tais como separação de áreas para fumantes e não fumantes em um mesmo ambiente com um mesmo sistema ventilatório, ou mesmo o aumento da troca de ar através de um sistema especial de ventilação, não eliminam a exposição dos não fumantes.

As áreas de fumantes (fumódromos) somente podem ajudar a proteger a saúde dos não fumantes quando são completamente isoladas, com sistema de ventilação separado, não permitindo que o ar poluído circule pelo prédio e quando os funcionários não precisam passar através dessa área.

Saiba mais: Veja como cigarro estraga sua aparência

Referências

INCA (instituto Nacional de Câncer do Ministério da Saúde)

Sociedade Brasileira de Cardiologia

Aliança de Controle ao Tabagismo

Centro Estadual de Vigilância em Saúde - Rio Grande do Sul

Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

Centro Estadual de Vigilância em Saúde

Carlos Machado, pneumologista. CRM-SP 41.937