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Sintomas da menopausa: descubra quais são e como tratar

Cada mulher passa pelo período de uma forma única, mas há sinais mais comuns nessa fase

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Dá-se o nome "menopausa" à última menstruação da mulher. Essa interrupção da menarca ocorre naturalmente quando se iniciam os sintomas da menopausa e os hormônios femininos (estrogênio e progesterona) param de ser produzidos pelos ovários.

Este evento está inserido no climatério, período de transição em que a mulher passa da fase reprodutiva (ciclo menstrual) para a fase de não-reprodutiva (pós-menopausa). Durante este processo, há uma diminuição das funções ovarianas, trazendo como sintomas da menopausa ciclos menstruais irregulares e falhos, até cessarem por completo.

Essas falhas costumam se iniciar perto dos 40 anos, mas a menopausa propriamente dita ocorre, em média, entre os 45 e 51 anos de idade. Quando ela ocorre em mulheres com menos de 40, é chamada de menopausa precoce.

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O climatério é constituído por três fases: pré-menopausa, período em que corpo da mulher se prepara para não ser mais fértil, reduzindo a produção hormonal; perimenopausa, período que engloba a pré-menopausa e o primeiro ano de pós-menopausa; e pós-menopausa, que se caracteriza pela ausência absoluta de menstruação por pelo menos um ano.

O bem-estar feminino nesse período é afetado pelos sintomas da menopausa decorrentes da queda de produção hormonal, fundamentalmente do estrogênio, que tem receptores em quase todos os órgãos da mulher, interferindo em neurotransmissores cerebrais e desencadeando sintomas emocionais, calor e atrofia dos tecidos dependentes de hormônios.

Os sintomas mais comuns da menopausa são:

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É importante ressaltar que os sintomas da menopausa serão os mesmos tanto para mulheres que experienciam a menopausa precoce quanto para aquelas que entram nesse processo por volta dos 40 e 50 anos de idade, assim como para mulheres que têm sua menopausa "induzida", decorrente de uma cirurgia de remoção dos ovários ou de uma quimioterapia, por exemplo.

A ginecologista Flávia Fairbanks explica que o organismo da mulher que entra na menopausa aos 50 anos de idade está mais adaptado às oscilações e quedas dos níveis hormonais - e o processo pode ocorrer de maneira mais suave do que aos 40. Mesmo assim, os sintomas da menopausa podem ser intensos independentemente da faixa etária, variando de corpo para corpo.

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Mas é fundamental levar em conta a causa da menopausa: se o processo foi induzido, os sintomas da menopausa se iniciam de maneira muito mais abrupta e, consequentemente, a intensidade deles e o desajuste causado no organismo acabam sendo muito maiores.

Há casos em que a mulher passa por uma pré-menopausa assintomática, neste caso, o organismo ainda produz hormônios suficientes para driblar os sintomas, mesmo que a quantidade deles seja menor se comparada com a fase fora do climatério.

Mas qual a explicação dos sintomas da menopausa e como lidar com eles? Confira abaixo cada um deles de forma detalhada.

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Ondas de calor (fogacho)

Sintoma mais forte na pós-menopausa, o calor da menopausa é chamado de "fogacho" e ocorre em "ondas" no corpo da mulher. Pode ser associado a fenômenos de estresse, assim como pode acontecer espontaneamente.

O tão típico calor caracteriza-se por uma sensação súbita de aquecimento que pode tomar o corpo inteiro, mas comumente afeta a parte superior do tronco, o pescoço e as faces. As ondas vêm associadas a uma sudorese momentânea, com duração de alguns segundos a poucos minutos.

Após a onda de calor, o organismo volta às condições naturais e dali a algum tempo, com intervalo maior ou menor de acordo com a intensidade dos sintomas, o fenômeno se repete.

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Foto:  Sean De Burca
Foto: Sean De Burca

No início dos sintomas os calores são mais observados durante a noite - e podem atrapalhar a qualidade de sono e descanso da mulher. Com o passar do tempo as ondas passam a acontecer também durante o dia, atrapalhando a qualidade de vida.

O calor da menopausa ocorre em consequência da queda da produção hormonal, principalmente do estrogênio, que tem receptores fundamentalmente no sistema nervoso central, onde se dá o ajuste de temperatura corporal. Segundo a ginecologista, ocorre um "curto-circuito" naquele local, fazendo com que o organismo não entenda mais o controle adequado da temperatura corporal.

Este sintoma é um dos mais comuns e evidentes durante o climatério. Entre 60 a 80% das mulheres apresentam as ondas de calor como um dos sintomas da menopausa. De acordo como o ginecologista Luciano Pompei, o pico dos fogachos ocorre nos 1 e 2 anos da pós-menopausa, mas podem estar presentes desde o período da pré-menopausa.

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Ciclos menstruais irregulares e alterações de humor

Na pré-menopausa é comum que ocorra o encurtamento dos ciclos menstruais, com ciclos com menos de 25 dias de intervalo entre si. Com o passar do tempo, as menstruações começam a falhar e ficarem mais distantes entre si.

Associados a este sintoma, pode haver uma piora da tensão pré-menstrual e alterações de humor, como uma irritabilidade ou humor depressivo. A diminuição da libido também é típica do período do climatério.

Sintomas urogenitais da menopausa

É comum que na perimenopausa a mulher perceba uma secura vaginal mais acentuada, o que pode deixar o ato sexual desconfortável pela falta de lubrificação. Na pós-menopausa é possível que haja ocorrência de incontinência urinária nesse período, assim como infecções urinárias, piorando a qualidade de vida.

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Sintomas relacionados à atrofia vaginal e questões urinárias são mais específicos pós-menopausa, aumentando em frequência com o passar do tempo.

Redução do metabolismo e ganho de gordura

Na pós-menopausa, a redução do metabolismo e facilitação do acúmulo de gordura abdominal intra-visceral é comum, sendo a causa básica do aumento do risco cardiovascular observado no período.

Segundo Fairbanks, durante esse processo as mulheres saem do formato de corpo "pera", característico da época com alta produção de estrogênio, e passam para um formato de corpo mais "maçã". O corpo feminino ganha um caráter mais redondo, principalmente com diminuição da relação cintura/quadril e acúmulo de gordura na parte abdominal.

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Saiba mais: Metabolismo fica mais lento conforme a pessoa envelhece

Risco cardiovascular e ósseo

Durante a pós-menopausa, há chance de alterações importantes do sistema, com aumento do risco cardiovascular e alterações na massa óssea e esquelética, elevando a possibilidade de osteopenia, osteoporose e afins, além do desenvolvimento de alguns tipos específicos de câncer.

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O risco cardiovascular pode ser justificado pela queda dos níveis de estrogênio, que também protege as artérias da formação de placas de gordura, diminuindo o risco de obstrução nas artérias que levam sangue ao coração - quadro causador do infarto. Nesta fase, há um desequilíbrio dos níveis de gordura no sangue e o colesterol ruim aumenta enquanto o bom diminui.

As alterações ósseas também se dão devido à diminuição do estrogênio, o que dificulta a absorção de alguns nutrientes e componentes. Segundo a ginecologista Lilian Fiorelli, um exemplo disso é o cálcio.

Ele entra nos ossos a partir da ação do estrogênio e da vitamina D, por esse motivo, é raro ter osteoporose antes do climatério. Já após o climatério, o hormônio não está mais presente no corpo da mulher para carregar o aporte de cálcio, aumentando o risco de osteoporose.

Envelhecimento cutâneo e das mucosas

O envelhecimento cutâneo é característico do período do climatério, com aparecimento ou acentuação das rugas, embranquecimento dos cabelos, enfraquecimento das unhas e afins. Também é um sintoma o envelhecimento das mucosas, como o ressecamento do olho, saliva, urogenital, ou vaginal.

Foto: Jose Luis Pelaez Inc
Foto: Jose Luis Pelaez Inc

Na pós-menopausa tardia, quando o organismo já está bastante ressentido da falta dos hormônios, principalmente dos estrogênios, se einicia um envelhecimento cutâneo e das mucosas muito mais pronunciado.

Tratando os sintomas da menopausa

Por mais que os sintomas da menopausa sejam naturais desta fase da vida da mulher, eles são incômodos e têm duração variável, se intensificando com o tempo e podendo durar, em média, de 10 a 15 anos.

Algumas mulheres sentem os sintomas da menopausa mais fortemente, o que as leva a buscar tratamentos a fim de garantir uma boas qualidade de vida. O modo de lidar com essas sensações varia de acordo com a necessidade da paciente, que pode optar pela reposição hormonal, medicamentos ou por uma abordagem mais natural.

Reposição Hormonal

A terapia irá repor os hormônios femininos em falta (estrogênio e progesterona), o que é a causa de todos estes sintomas da menopausa. A reposição pode ser feita por meio do uso de comprimidos, géis ou adesivos aplicados à pele, mas detalhes como dosagem, método e afins serão determinados pelo especialista após uma avaliação que leva em conta as particularidades de cada paciente.

Segundo Pompei, este é o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa. Ele explica que não há remédio que, isoladamente, consiga atuar em tantas frentes quanto a reposição hormonal, que melhora os calores, a lubrificação vaginal, ajuda na estabilização do humor, no sono entrecortado, na prevenção da perda de massa óssea, e redução de risco cardiovascular.

Saiba mais: Entenda os hormônios femininos

Mas caso a mulher não possa ou não queira usar hormônios, o médico recomendará medicamentos para tratar sintomas da menopausa isoladamente.

Dieta e mudança de hábitos

Dependendo da intensidade dos sintomas da menopausa, é possível lidar com eles a partir de uma mudança de hábitos, adotando-se uma dieta balanceada, rica em frutas, verduras, legumes, vitaminas, proteínas e carboidratos balanceados. Isso tudo pode ajudar ainda mais quando associado à adoção de hábitos saudáveis, como horas adequadas de sono, prática de exercícios físicos etc.

Segundo a ginecologista Lilian Fiorelli, é importante haver uma boa dieta ao longo da vida inteira mas, principalmente nesta fase, a diminuição de alimentos inflamatórios é essencial.

Foto:  Hinterhaus Productions
Foto: Hinterhaus Productions

Aqui vão alguns alimentos não recomendados e também alguns recomendados para mulheres no climatério.

Alimentos não recomendados

Alimentos recomendados

Referências

Dra. Flávia Fairbanks - ginecologista e obstetra, formada pela Faculdade de Medicina da USP com Doutorado em Ginecologia pela Faculdade de Medicina da USP, especialização em Endometriose no Hospital das Clínicas da FMUSP e pós-Graduação Latu Sensu em Sexualidade - CRM: 93879/SP

Dra. Lilian Fiorelli - Médica Ginecologista especialista em Sexualidade Feminina e Uroginecologia pela USP.CRM: 129.306